Peadsaoleopoldo/ ECS9 Grupo D
- Componentes do grupo:
- Andréia Nunes
- Denise de Andrade
- Elizabeth Koch
- Jandira
- Maria Angélica
- Maria Eliane
- Raquel

EDUCAÇÃO, TRABALHO INFANTIL E FEMININO

"Nós consideramos que a tendência da indústria moderna, em fazer cooperar as crianças e adolescentes de ambos os sexos na grande obra da produção social como um processo legitimo e saudável, qualquer que seja a forma em que se realize sob o reino do capital é simplesmente abominável."Marx e Engels
Não existem escritos de Marx e Engels expressamente sobre educação e ensino no contexto pedagógico da forma que este tema tão importante e complexo deve ser tratado.
Marx e Engels, escrevem, isto sim, bastante sobre educação, mas sob o ponto de vista da defesa do interesse da classe trabalhadora, no caso das crianças (meninos e meninas) e das mulheres.
As intervenções de Marx e Engels, neste pedaço específico da educação, são claros e se dão dentro do contexto histórico em que viveram:
- Parte da Europa ocidental, século 19;
- início da revolução industrial;
- surgimento do capitalismo como forma de produção;
- burguesia como classe social dominante;
- aparecimento das máquinas movidas a vapor; produção em larga escala;
- Desaparecimento do modo de produção existente até então;
- O artesão que era proprietário de seus meios de produção (conhecimento, ferramentas, mercado), entrava em uma profissão como aprendiz de um ofício, galgava ao longo do tempo todos os postos de trabalho deste ofício e depois também se estabelecia como mestre e reproduzia seu conhecimento para outros aprendizes e detinha o fruto financeiro de seu trabalho.
- trabalhadores urbanos que no passado se envolviam nestas tarefas são deslocados para as fábricas;
- Os homens e mulheres do campo (onde as condições de vida eram bastante precárias), também vão para as cidades em busca de ocupação nas fábricas;
CAPITAL E EXPLORAÇÃO
O modo de produção que se inicia é caracterizado pela exploração, isto é, o capital fica dono da força de trabalho e o utiliza para gerar mais-valia.
O capital, entretanto, só se apropria daquela força de trabalho capaz de gerar lucro e orienta inclusive o sistema de ensino com o único objetivo de treinar e preparar as pessoas para servirem aos interesses do capital. Dito de outra forma: A pouca educação ofertada, encaminha para o trabalho disponível, reforçando o sistema dominante a nível ideológico, técnico e produtivo.
A fábrica apesar de necessitar bastante mão de obra, principalmente no início da revolução industrial onde as máquinas eram ainda rudimentares, não incorpora todos, gerando um excedente de desempregados que se submetem a trabalhar em qualquer situação.
Isto inclui as crianças (meninos e meninas) a partir dos 5 anos de idade, que passam a trabalhar em ambientes muito insalubres, pouco iluminados, ruidosos, com jornadas de trabalho que duravam até 18 horas e com enorme pressão das chefias em busca de maximizar a produção, sem nenhum tipo de proteção social e sem nenhuma regulação por parte do Estado. Aliás, as poucas regras que existiam eram a favor dos proprietários dos meios de produção.
Marx e Engels não foram e não poderiam ter sido alheios a este conjunto histórico que dominava a sociedade de seu tempo.
A falta de atenção com as necessidades sociais, entre elas a falta de acesso à educação e ensino aos trabalhadores, próprio do sistema dominante daquele período, aliadas as horríveis (literalmente) condições de trabalho da população operária, mais dramática ainda no caso do trabalhador infantil e das mulheres, faz com que se estimule uma ação para colocar a proteção destas trabalhadoras e das crianças como prioritária, sendo o acesso a educação das crianças colocado em foco.
Porém podemos perceber, a diferença de compreensão da infância desta época para a nossa, quando fazem a colocação de suas interpretações sobre a jornada de trabalho infantil quando propoem que as crianças dos nove aos doze anos tenham uma jornada de duas horas de trabalho, as crianças dos treze aos quinze, uma jornada de quatro horas e as crianças de dezesseis e dezessete anos uma jornada de seis horas. Hoje nossa batalha é para que as crianças possam usufruir de lazer e fiquem restritas ao estudo, sem terem que se preocupar com o trabalho.
Sabemos sim, que isto não ocoore, pois com a exigencia de nossa sociedade, e das condições, muitas crianças ainda trabalham e com situações visivelmente piores, passando por exploração e falta de politicas que garantam os diretitos implicitos inclusive por lei, como é o caso do Estatuto da Criança e do Adolescente.´No entanto retratam isto ao dizerem que "Os direitos das crianças e dos adultos terão de ser defendidos, já que não podem faze-los eles próprios.Daí o dever da sociedade de combater em seu nome."
No caso das crianças é fundamental, no pensamento de Marx e Engels, que estas se eduquem e se instruam para junto com outros de sua classe social (a classe trabalhadora) possam radicalizar as contradições que a classe dominante impõe, e que esta classe (a burguesia e os oligarcas) possa ser superada e que uma nova sociedade, sem opressores e sem oprimidos possa ser construída.
A visão destas crianças submetidas a mais violenta forma de exploração faz com que Marx e Engels reajam e saiam em defesa destes trabalhadores precoces, sugerindo em inúmeras oportunidades, como é o caso do Congresso da AIT de 1868, (K.Marx,Instruções aos Delegados do Conselho Central Provisório) a criação de instrumentos de regulação onde os trabalhadores infantis deveriam ser divididos em três faixas etárias, dos 9 aos 18 anos e que em cada faixa etária fosse administrado o tempo de atividade fabril e o tempo de atividade escolar.
Pela instrução de Marx, quanto menor a faixa etária (a partir dos 9 anos de idade) menor o tempo de atividade fabril.
Enfatiza Marx, que este tipo de proteção além de preservar o trabalhador juvenil que estava tendo o seu presente e futuro destruído nas fábricas, oficinas, minas, indústrias químicas, etc. transformaria o que chama de “razão social em força social”, que em condições sociais tão difíceis com as que se vivia no período, o poder do Estado ao impor estas leis não ficaria mais favorecido, ao contrário o proletariado acumularia força e instrução necessários para lutar contra seu agressor.
Conceitua também que a escolaridade para os filhos da classe trabalhadora deve se iniciar antes da idade de 9 anos e que esta educação deveria atender a três requisitos:
- Educação intelectual.
- Educação corporal, tal qual se consegue com exercícios de ginásticas e militares.
- Educação tecnológica, onde seriam incorporados os princípios gerais de caráter científico, de todo processo de produção e iniciação para crianças e adolescentes na utilização de ferramentas dos diversos ramos da indústria daqueles tempos.
Entendia Marx que a combinação de trabalho produtivo pago, associado com educação intelectual, exercícios corporais e formação politécnica elevariam a classe operária a níveis superiores aos das classes burguesa e aristocrática.
Quis dizar que ao mesmo tempo que estava trabalhando, a criança com isto também adquiria conhecimento. Colocava que deveria ser proibido por lei o trabalho noturno ou nocivo por crianças (uso o termo como referenciado pela __Declaração Universal dos Direitos da Criança__) dos nove aos dezoito anos.Situações as quais muitos nos dias de hoje ainda vivenciam, o trabalho infantil de exploração e com condições não favoráveis ao pleno desenvolvimento.
Penso ser importante neste ponto relacionarmos com os nossas vivencias no ensino de jovens e e adultos, onde após exaustivo dia de trabalho, chegam na escola, sem a motivação ou até mesmo porque não dizer cansaço físico, prejudicando a sua continuidade na escola( claro que a questão da desistência do ensino dos jovens trabalhadores não se dá exclusivamente por este motivo, mas não cabe aqui relacionar outros).
Vem então a instrução do parlamento Inglês, que associava o tempo de atividade escolar com o tempo de trabalho fabril.Porém consta que era ilusória a questão da obrigatoriedade do ensino, pois na verdade não havia nenhum dispositivo que garantisse a efetivação da lei fabril. Eram leis que impunham que as crianças deveriam ir a escola e apresentarem um boletim de freqüência e de atividades para poder ter acesso aos empregos fabris.
Relatos de inspetores escolares, porém, são assombrosos, pois inúmeras vezes o professor era analfabeto, as escolas não tinham a menor estrutura, eram locais onde as crianças ficavam encarceradas, ou seja, eram minúsculas e recebiam muitas crianças que lá ficavam sem nada fazer, isto é, eram depósitos de meninos, criados para fingir que a lei era cumprida.
Existiam ainda escolas onde havia professores de verdade, verdadeiramente interessados no futuro daquelas crianças, porém eram pagos pelo número de alunos que freqüentavam seu estabelecimento e aí também, via de regra, havia estudantes em demasia.
Mesmo sendo uma lei ilusória, inúmeras vezes fraudada, fácil de manipular, a burguesia fabril mesmo assim resistia a este tipo de lei. Há o caso do fabricante de vidro J. Geddes, que teve de expor a um comissário de investigação educação escolar.
Diz o senhor Geddes: “No que posso julgar, me parece que a dose maior de educação que vem sendo dada a classe operária já há alguns anos é prejudicial. Encerra um perigo, pois a torna independente.”
O modelo de produção da época e o excesso de oferta de mão de obra criavam ainda outras situações difíceis. Em inúmeros casos as crianças trabalhavam nas fábricas e seus pais não. Com o salário que recebiam tinham que ajudar financeiramente aos seus pais, deixando estas casas de serem lares com as relações familiares e sociais naturais em qualquer sociedade dita decente e passavam a funcionar como uma espécie de “pousada” onde os filhos trabalhadores deixavam de ser membros natos daquela família e ali tinham um ambiente salutar de relação familiar protegida, para se transformar em um local de ralações comerciais.
Ora, existia nas cidades inúmeros outros locais que este jovem trabalhador poderia alugar pagando menos, e para lá ele se dirigia. Isto, a curto prazo, resolvia o problema individual daquele jovem, a médio prazo, entretanto afetava a relação familiar e a longo prazo dissolveria um modelo de sociedade familiar que deveria ser calcado na solidariedade e na proteção familiar.
*A propaganda burguesa apresentava o lar como sendo um refúgio de felicidade, de doçura e de quietude. Escondia entretanto que nesta estrutura privada também se apresentam relações de força e que duraram enquanto o homem conseguiu manter-se como patriarca e provedor.
- A revolução industrial também se apropriou da mão de obra feminina, principalmente nas tarefas em que exigia alguma delicadeza. Também era dada preferência às mulheres casadas, sobretudo as tinham que sustentar uma família. A partir do momento em que as mulheres saem de casa para prover o sustento de seu lar, a estrutura familiar tradicional se dissolve.
- Quando a mulher ficava em casa, era responsável pela criação, educação e cuidados do lar e dos filhos. Esta mulher ao ir trabalhar nas fábricas em jornadas muito longas e extenuantes e não existindo um espaço adequado onde pudessem ficar seus filhos, estas crianças e sua casa ficavam abandonadas ou a mercê de estruturas impróprias para a continuidade das relações familiares. Isto rapidamente levou ao desmoronamento das famílias.
- Relacionando com nossas vivências:
*Elizabeth Elizabeth Koch
Relacionando parte do que apresenta os textos de Marx, com o que acontece de forma contemporânea em minha escola posso relatar o seguinte: Minha escola recebe alunos de três bairros. Um destes bairros é caracterizado por apresentar como única atividade empresarial a extração de pedras de alicerce, lajes, etc. Das diversas pedreiras que existem neste bairro, algumas são ilegais pois estão situadas em áreas de proteção ambiental permanente.
O único sustento das famílias é trabalhar nestas pedreiras, e muitos dos nossos alunos menores de idade trabalham para ajudar a sua família. O trabalho de extrair lajes e pedras de alicerce é executado manualmente, é uma tarefa penosa, insalubre que apresenta muitos riscos potenciais de acidente. As jornadas são longas, muitos não tem carteira assinada, sendo remunerados por produção, ou seja, em dias que não tem produção eles nada ganham.
É também característico que grande parte das mães de nossos alunos são trabalhadoras (domésticas, operárias, etc.) que ajudam no sustento de sua família.
Em inúmeros casos elas mesmas são os chefes de família, ou seja, o salário por ela ganho é o único responsável pela manutenção de todos os custos do seu lar.
Normalmente trabalham em locais distantes de suas casas e ao sair para trabalhar deixam seus filhos sozinhos ou aos cuidados dos filhos mais velhos, que muitas vezes são crianças também.
* Andréia Nunes
A estruturação da nossa sociedade difere em partes das apresentadas no texto.Mas o que para mim é mais latente é a questão de que nesta nova sociedade cada vez mais as mulheres vivem a necessidade de trabalhar e ser na sua grande maioria responsáveis pelo "sustento do lar".Falo de uma visão que tenho da Educação Infantil, onde por falta de estrutura, digo que nacional, a demanda de vagas é maior do que a possibilidade de oferta.
Desde muito pequeno a diferença de classes, favorece e discrimina, quem tem mais poder aquisitivo, social, tem a vantagem frente à educação e quem não o tem?
O que percebemos é crianças que desde muito pequenas tem responsabilidades dentro da estrutura familiar das quais as vezes não nos damos conta. Como a criança que ao chegar da escola já auxilia a mãe, ou pais no trabalho.
E estas crianças que desde muito pequenas vemos pelas paradas de onibus e espaços movimentados, vendendo vale-transporte, balas e afins, enquanto muitos pais de longe observam. Este ato representa a exploração da criança pela qual muitas vezes passamos despercebidos e de parecer tão rotineiro não nos damos ao trabalho de questionar e pensar sobre isto.
Na escola na qual estava no ano passado, a maior parte da turma de educando era formada por crianças que eram parte fundamental para a renda familiar.Muitos trabalhavam informalmente como catadores de papel, e em alguns casos fazendo intervalo durante o dia somente para ir a escola, e diga-se que nas sextas-feiras a frequencia era muito baixa, pois tratava-se do dia em que as empresas e lojas retiram a maior parte do lixo, de onde retiravam o seu sustento.
Comments (3)
Anonymous said
at 11:13 am on Nov 19, 2006
Boa iniciativa, Andréia, socializar a construção de vocês e compartilhá-la com o grande grupo. Aguardo o comparecimento das colegas com suas contribuições.
abraço,
Suzana
Anonymous said
at 2:13 pm on Nov 26, 2006
Algo que eu penso ser necessário rever no wiki é o espaço para postar as imagens, gostaria de dar continuidade a produção do wiki do grupo e não há mais espaços para imagens.
Anonymous said
at 12:24 pm on Nov 30, 2006
Podes hospedar em outro lugar e linkar aqui.
You don't have permission to comment on this page.